Agência Nacional do Cinema
Translate traduzir ImprimirImprimir 28/03/2018 12:15

Aprovadas cotas para mulheres, negros e indígenas em edital para produção cinematográfica

Chamada Pública também recebeu retificação nos critérios com o objetivo de valorizar o mérito artístico das propostas

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Reunião do Comitê Gestor do FSA no último dia 26 de março

Após ouvir as demandas de entidades e associações do setor audiovisual e levando em consideração um amplo diagnóstico feito pela ANCINE sobre gênero e raça no setor audiovisual brasileiro, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA) aprovou, nesta segunda-feira (26), importantes mudanças no edital de Concurso Produção para Cinema 2018, lançado no dia 19 de março, que destina R$ 100 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) a projetos de longas-metragens independentes de ficção, documentário ou animação.


Uma nova versão retificada do edital, incorporando as mudanças decididas na reunião do Comitê, foi publicada no dia 3 de abril no site do BRDE.
 

Como consequência de um debate estabelecido a partir de proposta do MinC e com a apresentação de estudo pela Comissão de Gênero e Diversidade da ANCINE – que detectou que 75,4% dos filmes lançados em 2016 foram dirigidos por homens brancos -, formou- se o consenso entre os membros do Comitê para a adoção das cotas de gênero e raça na seleção dos projetos inscritos no edital.

 

A ideia é que o instrumento ajude a diversificar a produção audiovisual nacional criando produtos que reflitam a imagem e a realidade da maioria da população brasileira. Ao menos 35% dos valores investidos nos projetos selecionados deverão ser dirigidos por mulheres ou mulheres transexuais/travestis, e pelo menos 10% desses valores serão reservados a diretores(as) negros(as) (pretos e pardos) e indígenas. “Esse é um primeiro passo para se pensar medidas de ampliação da representatividade de mulheres, negros e indígenas no mercado audiovisual brasileiro”, comentou o diretor-presidente da ANCINE, Christian de Castro.  

 

Decidiu-se também pela alteração nos pesos dos quesitos de avaliação dos projetos na modalidade B, que contempla longas-metragens de ficção, documentário e animação com ênfase em projetos de perfil autoral e propósitos artísticos evidentes, o que vai facilitar o acesso aos recursos do fundo por parte de produtores iniciantes.

 

“Aumentamos a pontuação do quesito “projeto”; tiramos o peso para desempenho comercial nesta modalidade; e redimensionamos a pontuação para capacidade gerencial e desempenho da produtora. Com isso valorizamos o trabalho do roteirista e aumentamos a oportunidade para que produtoras pequenas e entrantes possam competir com isonomia”, explicou Christian de Castro, que presidiu a reunião ao lado do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Os diretores da ANCINE, Alex Braga e Debora Ivanov estiveram presentes à reunião.

 

Todas as alterações passam a valer já para o edital que está em curso, a partir de retificação publicada na página do BRDE. O quadro abaixo apresenta os novos pesos dos quesitos de avaliação: 

 

 

 

QUESITOS

PESO

Modalidades

A

B

1 – Projeto

25%

65%

Avaliação do projeto apresentado, incluindo sinopse, visão do diretor e roteiro

25%

65%

2 – Qualificação técnica do diretor

30%

20%

2.1 Quantidade de obras dirigidas (CPB)

10%

10%

2.2 Desempenho comercial das obras dirigidas

10%

-

2.3 Desempenho em festivais

10%

10%

3 – Capacidade gerencial e desempenho da produtora

30%

15%

3.1 Capacidade gerencial – Classificação de nível na ANCINE

10%

10%

3.2 Desempenho comercial das obras produzidas pela produtora em salas de cinema.

10%

-

3.3 Desempenho em festivais

10%

5%

4 – Planejamento e adequação do plano de negócios

15%

-

Captação, licenciamentos, parcerias efetivadas (coprodução, distribuição) e estratégia comercial)

15%

-

Total

100%

100%

 

 

 

  1. Servidores da ANCINE, integrantes da Comissão de Gênero e Diversidade, apresentam estudo aos membros do Comitê Gestor do FSA

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