Agência Nacional do Cinema
Translate traduzir ImprimirImprimir 18/10/2018 13:14

Principais entidades do audiovisual brasileiro lançam Cartilha Antiassédio

Evento, no Rio de Janeiro, contou com a participação da ANCINE

 

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Mesa do primeiro debate antiassédio no setor audiovisual crédito: Yasmin Lucchesi

A Agência Nacional do Cinema – ANCINE participou, nesta quarta-feira (17), do lançamento do “Pacto de Responsabilidade Antiassédio Sexual no Setor do Audiovisual”, ocorrido dentro do 1º debate antiassédio no setor audiovisual, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

 

No evento foram discutidas formas de identificar o assédio e apresentada uma cartilha, com o objetivo de combater e prevenir o problema no meio audiovisual.

 

Participaram da mesa Debora Ivanov, diretora da ANCINE; Magda Hruza (SICAV - Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual); Daniela Muller (Juíza em direito da mulher); Silvana Andrade (Mestre pela FGV em carreiras e trajetórias de mulheres); Mariana Souza (APRO - Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais); e Leonardo Edde (SICAV), como moderador.

 

A diretora da ANCINE abriu a palestra ressaltando a importância da ação. “O assédio tem sido pautado na mídia e nas redes sociais. Mas do ponto de vista das empresas, pouco se faz. É a primeira vez que vejo em nosso setor uma ação conjunta, que demandou muito tempo de construção. Entre a ideia de se construir um pacto até se realizar, foram muitos meses de trabalho”, disse.

 

Ivanov também salientou que a cartilha foi uma iniciativa que reuniu várias entidades do meio. “Foi necessário observar as melhores práticas do mundo, e construir alianças entre as entidades. Entidades de norte a sul do país estão assinando este pacto. Para mim, é um momento histórico do setor audiovisual”, afirmou.

 

Leonardo Edde, presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual (Sicav), fez questão de lembrar de que se trata de uma cartilha, não de um conjunto de regras. “Cada empresa vai internalizar à sua maneira. O objetivo é trazer esclarecimentos e mudar uma cultura que é muito grave e ainda está enraizada na sociedade. Isso não é tarefa fácil”, reconheceu.

 

Para Mariana Souza, gerente executiva da Associação Brasileira de Produção de Obras Audiovisuais (Apro) e uma das formuladoras da cartilha, não se trata de uma caça às bruxas, mas sim de uma agenda positiva, a fim de educar e prevenir novos casos e situações constrangedoras. “A cultura foi permissiva durante muitos anos, mas hoje não é mais. Com o movimento Time’s Up, o PGA (sigla em inglês para Sindicato dos Produtores da América) distribuiu uma cartilha sobre assédio sexual, e então adaptamos para a nossa realidade e nossa legislação”, explicou.

 

Também presente ao debate, a juíza Daniela Muller explicou alguns fundamentos dos direitos trabalhistas ligados ao tema e enumerou medidas práticas a serem tomadas em casos de assédio, como ter sempre um canal de acolhimento para as possíveis vítimas, guardar provas e buscar orientação jurídica e psicológica. “Se queremos combater algo que está enraizado culturalmente desde o Brasil colonial, em que o senhor de engenho tinha acesso ao corpo de escravas, é fundamental não naturalizar o assédio”, completou.

 

Silvana Andrade comentou da importância dos movimentos “Agora é que são elas”, no Brasil, e “Me too”, nos Estados Unidos, já que ambos fizeram com que a mídia olhasse para casos de abusos dentro do entretenimento. “Nosso país é muito violento no que diz respeito às mulheres e a informação vai ser a nossa principal ferramenta.  Uma cartilha vai ser fundamental para essa tomada de consciência. É uma informação valiosa e acessível para todos”, ratificou.

 

A segunda parte da palestra consistiu na apresentação da cartilha, com maneiras de como evitar e lidar com o assédio. Ao fim do evento, Mariana concluiu dizendo que a iniciativa quer estimular que homens e mulheres denunciem abusos. “Nós queremos garantir um bom ambiente dentro dos sets, das produtoras, e dentro desse universo audiovisual. Assédio é assédio, independente do gênero ou orientação sexual”, finalizou.

 

A Cartilha

 

As principais entidades do audiovisual brasileiro lançam a Cartilha Antiassédio, documento produzido em regime colaborativo que inclui um leque de informações, recomendações de procedimentos ante comportamentos abusivos e boas práticas em casos de ocorrências no ambiente de trabalho e adjacências.

 

A cartilha é fruto dos esforços de um grupo de trabalho surgido a partir da provocação ao setor feita por Antônia Pellegrino (escritora, roteirista e co-fundadora do blog da Folha de SP "Agora é Que São Elas”) e sob liderança da APRO - Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais. Entidades representativas das empresas e dos trabalhadores do segmento se uniram em torno de um Pacto de Responsabilidade Antiassédio no Setor Audiovisual. O objetivo agora é o desenvolvimento de uma série de ações visando orientar e prevenir esse tipo de atitude dentro das produtoras e nos sets de filmagem.

 

A elaboração da cartilha contou com a participação dos produtores e de um grupo de advogados especialistas em Direito do Entretenimento.

 

Participaram da formatação da cartilha as entidades do audiovisual APRO (Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais), BRAVI (Brasil Audiovisual Independente), SIAESP (Sindicato das Indústrias Audiovisual do Estado de S. Paulo), SICAV (Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual), SINDCINE (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual dos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal), SATED -SP, além de representantes das principais lideranças do mercado e de produtoras. Outras entidades tomaram contato com o material e também aderiram ao conteúdo, num esforço de torná-lo cada vez mais representativo de todos os profissionais envolvidos na cadeira produtiva do setor. São elas: ABRAGAMES, ABRAMINA, APACI (Associação Paulista de Cineastas), ABRACI (Associação Brasileira de Cineastas), APROSOM, CONNE (Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste), FAMES (Forum Audiovisual Minas Gerais, Espírito Santo e Sul/Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

 

O documento está disponível no site do SICAV.

 

 
 
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